sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O problema da religião: A confessionalidade.

O problema da religião é que ela elege a confissão verbal como marca da relação com Deus e, por causa do que confessa, reivindica o direito a essa relação. Esquece o Cristo dizendo que os seus seriam reconhecidos não pela fala, mas pelo amor de uns pelos outros; que o chamado seria para salgar a terra e não para reproduzir uma confissão de boca; que os falsos profetas seriam reconhecidos pelos seus frutos e não por suas confissões; que a confissão deles diria justamente "Senhor, Senhor..." mas que ouviriam "Afastem-se de mim", não por terem uma confissão errada, mas por praticarem o mal.

Esquece que o Samaritano não foi exaltado por sua confissão de fé; que a fé do centurião romano foi elogiada apesar da estranheza da declaração; que a Verdade que liberta não é um conceito, uma doutrina ou uma regra de fé e prática a ser aceita e declarada, e sim uma Pessoa a ser seguida ("Eu sou a verdade")

O problema da religião é que ela trabalha para reproduzir confissões. Esquece que a confissão é algo entre Deus e o homem; que ninguém consegue levar Pedro a declarar "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!". Esquece que uma declaração de fé não socorre o necessitado; que o sacerdote e o levita eram os da confissão e eles passaram pelo outro lado. (Lucas 10.25-37)

O problema da religião é ela achar que o mundo vai louvar a Deus quando confessar que "Jesus Cristo é o Senhor". Esquece que essa frase está na parede dos maiores abatedouros de almas, e na boca dos maiores desdenhadores de seres humanos; acha que o mundo vai louvar a Deus quando confessar o Cristo, mas esquece que esse mundo precisa ver boas obras para que isso aconteça: "Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus" (Mateus 5.13-16)

O problema da religião é não admitir que a confessionalidade virou estratégia para encher lugares, promover adesões e fazer prosélitos;

O problema da religião é não admitir que só a evangelização que salga a terra pode dizer: "Não, filho, não precisa vir comigo, vai para a tua casa."

O problema da religião é ler isso aqui e achar que abrir mão da confessionalidade, é abrir mão da fé no Cristo...

O problema da religião é ela orgulhar-se de sua confissão, quando deveria sentir dores de parto por causa dela. O homem que se orgulha de sua confissão de fé, perdeu (se é que já teve) a consciência de sua condição.

Pedro só ouve o "vem e segue-me" final, depois de responder à pergunta da confissão até o constragimento e, já magoado, ficar sabendo da inutilidade dessa confissão que não se traduz em amor e serviço ao próximo: "Simão, filho João, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas."

Devemos abrir mão da nossa confessionalidade, em nome de Jesus.

no Caminho,


hugo
26/05/10
01:20


9 comentários:

Ivo Fernandes 26 de maio de 2010 às 08:41  

Mano,

o melhor texto que já li seu,

simplesmente é isso,

Deus continue te iluminando em tudo,

abraços

Jota 26 de maio de 2010 às 12:55  

Excelente, Hugo! Na mosca. Obrigado pelo texto.

André Luiz 26 de maio de 2010 às 21:04  

Uma linha essencial. Papo reto! A menor distância entre dois pontos.
Gosto te te ler pela objetividade.
Obrigado, mano.

Maicon Custódio 31 de maio de 2010 às 16:24  

Um texto interessante, mas não posso concordar, pois a confessionalidade é algo que é evidenciado nas Escrituras. Quando o amado irmão fala de que a Bíblia parece não prezar pela confissão verbal, mas prefere atos, provavelmente deve ter esquecido de ler alguns textos.

"Rom 10:9 - Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo".

"Mt 16:17-18 - Respondendo Simão Pedrog, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 18 Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

"Rm 10,10 - Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação".

1João 3. "Aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele, em Deus".

Teríamos mais alguns textos, mas estes são suficientes. Com isso podemos observar que a confissão verbal é muito prezada na Bíblia sim.

É importante, amados, nos levantarmos contra a religiosidade exacerbada, mas tão importante quanto isso é não deixarmos que um ódio à institucionalização invada os nossos corações, pois, mesmo a instituição oranizada é bíblica.

No Amado Mestre,

Maicon.

http://cristianismopensante.wordpress.com/

Hugo Lucena Theophilo 31 de maio de 2010 às 18:12  

Maicon, meu queridão...você não entendeu a diferença entre confissão e confessionalidade. Leia novamente tendo isso em mente, pois creio que essa diferença ficou bem clara no texto. "O problema da religião é ler isso aqui e achar que abrir mão da confessionalidade, é abrir mão da fé no Cristo." No mais meu irmão, procure se abster da tentativa de enxergar o coração do homem e de emitir juízo pelo que você consegue ver, pois assim você peca contra o Mestre em quem você está. Ele sabe que não digo o que digo movido por um "ódio à institucionalização que invadiu o meu coração".
Bjo em você.

Wilson Costa,  23 de junho de 2010 às 22:04  

Caro Hugo, estive no blog do René, postando sobre este assunto, voce também passou por lá, e como dono da "verdade postada", deixou sua breve e "contundente observação".
Meu caro, em momento algum deixei de entender o que estava dizendo, simplesmente a obviedade do assunto requeria uma observação direcionada para o ponto nevralgico subliminado no texto: A religiosidade que esconde o verdadeiro do falso verdadeiro.
Considero um grande desafio deixar de refletir sobre o que não me expoem diante da verdade exposta, pela convivência e pela relação com aqueles que considero que não alcançaram meu entendimento.
Ser do Senhor,é extremamente subjetivo, somos alcançados individualmente, quando Deus quer falar com Hugo, Ele diz:"...Hugo, levanta que quero falar com voce..." e não diz:"...Wilson, levanta que quero falar com Hugo...". Quanto aos vendilhões da fé que usam da "confessionalidade", para manipularem as pessoas, eles só alcançam os que como Tiago diz:"...são atraídos pelos suas próprias concupiscencias...". Quem é do Senhor não faz parte destes conluios.
Acho que os grandes e reais adversários são nossas convicções equivocadas, que nos escondem da Cruz, com considerações encontradas fora do "arraial", nas igrejas físicas, e não nas verdadeiras igrejas, que são espirituais, e são do alto.
Fico feliz que voce tenha essa sede do confronto, é ele que aperfeiçoa e une, e não o conflito que agride e divide.
Somos do Senhor. Beijos em Cristo.

Hugo Lucena Theophilo 24 de junho de 2010 às 08:19  

Wilson, meu irmão, é simples: lá você comentava sobre outro assunto que não era o do texto. Aqui você continua fazendo isso, mas foi a primeira vez que entrou no assunto em si. E acerca dele, vi você dizendo que os vendilhões da fé (que se utilizam da estratégia da confessionalidade para manipular) só manipulam os que não têm parte com Jesus. Ora, para crer assim eu precisaria ser um calvinista considerando que os "manipulados" são predestinados à perdição. Precisaria também considerar que eles escolheram o engano de caso pensado: "Eu quero o engano". E precisaria não saber de que Espírito sou, pois assim estaria me colocando como juiz de todos eles, dando conta de seus destinos eternos (Tais não são de Jesus) e fazendo o que Jesus disse que não cabe a ninguém fazer: separar "quem é" de "quem não é".

Eu concordo com você que nossos maiores adversários são os nossos equívocos mascarados de certezas. A religião cristã é a maior prova disso!

Por exemplo, a religião cristã reproduz a convicção de que fora do arraial só encontramos equívoco que nos escondem da cruz!

Eu não gosto de confrontos como você diz. Eu nem tenho certezas para entrar em confrontos! Eu sou daqueles que gostam quando Karl Barth diz que "devemos falar sobre Deus sabendo que não podemos falar sobre Deus", porque se não for assim faremos da nossa fala sobre Deus o próprio Deus.

Eu sou daqueles que gostam quando Peter Berger diz que "As pessoas se matam por proféticas certezas, dificilmente por hipóteses falíveis."

Eu apenas falo das coisas que são verdade pra mim enquanto elas forem verdades pra mim.

O meu blog é o lugar das minhas verdades.

bjo em você, meu irmão.

hugo theophilo

Wilson Costa,  24 de junho de 2010 às 18:24  

Caro Hugo, quando digo que os que estão em Cristo não são manipulados, é porque a segurança que a Cruz produz naqueles que depois de terem suas vidas transformadas pela ação redentora de Cristo, não lhes permitem ficarem prostados diantes de Baalins. Não existe aqui doutrina da predestinação e sim convicção que estamos em Cristo que isso é suficiente para nos guardar das doutrinas de demônios.
Também não considero que os manipulados são predestinados para perdição,citei Tiago, justamente para separar os que se deixam manipular, dos que se recusam a ser manipulados. Meu caro,estamos firmados em verdades que nos dão garantias eternas, não podemos trocá-las por conceitos e doutrinas humanas que se desfazem depois de usadas, já que não produzem convicções da eternidade (Cl.2.22)Em Rm.8.37-39"...nem a morte, nem a vida, nem anjos ou principados...podem nos "separar do amor de Cristo".
Aqueles que se deixam manipular, podem com certeza mudar de atitude, isso não é definitivo. Agora se julgo que o ato da confessionalidade se concilia com o ato da justiça religiosa repudiada por Jesus, julgo então que estes estão separados, eu os separei, não Jesus, que julgou o ato da religiosidade e não os religiosos.A liberdade está na tolerância, aos intolerantes, isso é amor incondicional. Como disse anteriormente no blog do René, não sou um "caça religioso ".
E quando digo que gostas do confronto, é porque suas postagens não são, assim como também as minhas, verdades absolutas, por isso sujeitas as contestações e aos contraditórios. Graças à Deus por isso, para que a soberba não aniquile em nós toda a sabedoria que vem do alto.
Perdoe-me se não cito nenhum escritor para sustentar minhas convicções, não é arrogância e sim falta de hábito,pois há muito tempo que deixei de ler bons livros. Hoje encontro nos blogs,informações preciosas. Faz pouquíssimo tempo que aprendi usar o computador.
Somos do Senhor, Bjs em voce também.

Anônimo,  17 de fevereiro de 2011 às 09:32  

Mano, acredito plenamente no que você escreveu, aliás peço licença para postar em meu blog.
Quanto a confessar em quem temos crido, conforme os textos muito bem citados pelo Wilson, trata-se em primeiro lugar de saber quem é Jesus e conforme sabemos, isto é uma revelação dEle mesmo. Após isso é que vem a confissão verbal que como disse São Francisco de Assis, pode muito bem ser muda: "Pregue o Evangelho, se preciso for, use palavras".
Concluindo creio que é privilégio de alguns ter uma confissão de fé em harmonia com o Evangelho e portanto para Jesus a confissão nas ações da vida é o que vale. Paz e bem a todos.

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