terça-feira, 7 de maio de 2013

Pacote doutrinário

Em negrito, termos do pacote doutrinário com o qual fui catequizado.

Preso, faço de cada termo alvo do machado afiado que me partiu a cabeça e que passei a empunhar.

A minha catequização durou 31 anos. A descatequização começou há 3 (vestígios dela no chão em que piso).

O machado está posto!

Pacote doutrinário:

CasaPequena/Duplex/Apto
Fast-Food
MicroOndas
ShoppingCenter
SuperMercado
Carro
Emprego
Falta de Tempo
Escola em Tempo Integral
Cansaço
Doença
Fragilidade
Superstição
Charlatanismo Gospel
Cheque-Especial
Agiotagem
Financiamento
MinhaCasaMinhaVida


Da série: Eu devia estar contente porque tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável...



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hugo lucena theophilo
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"Cada um de nós, e cada um dos grupos em cujo seio vivemos e trabalhamos, deve se tornar o protótipo da era que desejamos criar." - Ivan Illich

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sábado, 27 de abril de 2013

Casa para temporada de copa do mundo 2014


Alugo casa em Fortaleza-CE, no bairro Mondubim, a 100m da Avenida Perimetral (Av. Presidente Costa e Silva), a 8km do Aeroporto Internacional Pinto Martins e apenas 4km da Arena Castelão. Próximo a diversos restaurantes, supermercados, farmácias, fácil acesso a praias e serras.

A casa tem 165m² de área total e aproximadamente 80m² de área construída. Tem 2 quartos (sendo um suite), escritório, banheiro social, tv por assinatura, internet wireless, vaga com cobertura verde para 1 (um) carro, portão automático, cozinha e área de serviço completas, jardim orgânico comestível (hortaliças e ervas-medicinais), mini-galinheiro produtivo (2 ovos por dia), captação de água da chuva, minhocário, lixeira viva, redes no jardim. No bairro ainda é possível comprar diariamente leite in natura.

Com ou sem diarista (a combinar).

Algumas das espécies disponíveis no jardim:


Acerola
Romã
Moringa
Capim-santo
Erva-cidreira
Malvarisco
Courama
Hortelã vicky
Alecrim
Salvia
Tomates
Pimentões
Beringela
Pimentas
Bertalha
Maracujá
Cebolinha
Coentro
Rúculas (cultivada e silvestre)
Alho poró
Couve Manteiga
Rabanete
Maxixe
Quiabo

Para maiores informações contatar por email: hugotheophilo@gmail.com

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Escritos de um E.T

Quando são injustiçados, reivindicam o direito de serem injustos!

Não é exatamente o que dizem, mas é exatamente o que fazem.

Devem ser de uma espécie diferente daquele outro a quem atribuem as cartas que achamos: "Quando somos amaldiçoados, abençoamos...".

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Trecho de escrito encontrado num OVNI abandonado no Sertão dos Inhamuns

Da série: Escritos de um E.T


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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Guabirú de 15kg é flagrado devorando colheita de rúcula

No fim de Janeiro eu publiquei aqui a lista de tudo o que foi produzido na minha micro roça naquele mês. Achei que continuariua fazendo aquilo ao final de cada mês, mas é muito chato e cansativo ficar anotando cada maracujá que cai, cada quiabo de metro colhido ou cada ovo que aparece no galinheiro.

O que postei em janeiro (aqui) dá pra ter uma idéia do que pode acontecer em alguns centímetros quadrados de terra.

Mas ai vai uma foto simpática de maracujás colhidos ontem juntos com vegetais e ovo colhidos hoje. E, por último (lá embaixo), um vídeo que fiz sem querer, quando esqueci a máquina ligada na cozinha e flagrei um guabirú gigante (de uns 15kg) devorando a minha colheira de rúcula. Impressionante!

Ovo, rúcula, cebolinha, quiabo de metro e maracujás.


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terça-feira, 9 de abril de 2013

Três porquinhos às avessas


Era uma vez três porquinhos: Prático, Heitor e Cícero (Ciço). Um dia eles decidiram que iriam sair da casa da mãe em busca do sonho da casa própria. Prático tratou de fazer curso técnico, virou especialista em coisa nenhuma e foi embora para a cidade onde arranjou o emprego necessário para financiar uma casa de tijolo e cimento a ser paga em 20 anos. Prático mesmo ele. Conheceu o sucesso rápido! Heitor, impregnado da ética/estética colonizadora e galanteador que era, casou-se com uma rica empresária da cidade e foi morar numa casa de madeira em estilo colonial. Ciço tido por preguiçoso, nunca fora bom na escola. Perdera a infância jogando bola, tomando banho de açude, soltando pipa, subindo em árvore e construindo os próprios brinquedos e arapucas que usava pra pegar preá. Sem conseguir emprego na cidade, mas de posse de tanta habilidade, rápido fez uma casa de taipa no terreno dos fundos e foi cuidar da lavoura da mãe recém-falecida. Os três porquinhos viviam bem até que sobreveio o Colapso sob a forma de desemprego e bateu à porta de Prático. Esse teve a casa confiscada pelo banco e foi se esconder na casa de Heitor.  E o Colapso bateu à porta de Heitor, que com o casamento abalado pela crise financeira e pela presença onerosa do irmão, viu-se obrigado a fugir de volta para o interior, perdendo a esposa e a casa. Assim os dois irmãos foram se esconder na casa de Ciço, o preguiçoso...

Continuo depois....


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sábado, 30 de março de 2013

Tico e Teco

Tico: "O cara precisa de um emprego pra comprar uma moradia que lhe faz precisar de um emprego."

Teco: "É...o cara precisa se submeter ao mercado para ter o que não consegue construir por estar submetido ao mercado."


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Esse cara sou eu II

Havia um homenzinho reto
Morava numa casa reta
Andava num caminho reto
Sua vida era reta
Um dia o homenzinho reto
Jesus encontrou
E tudo que era reto
Jesus entortou!


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quarta-feira, 27 de março de 2013

A VOZ

É simples, gafanhoto, é simples.

Você descobre que a universidade atrapalha mais do que ajuda, você sai da universidade.
Você descobre que o templo atrapalha mais do que ajuda, você sai do templo.
Você descobre que viver na cidade atrapalha mais do que ajuda, você sai da cidade!

Algumas mudanças serão mais complicadas do que outras, mas ai você vai construindo o espaço onde vai pisar...um pé de cada vez...dá um passo aqui, outro ali. Se as mudanças mais difíceis levarem mais tempo do que uma vida e você não conseguir, os que vêm depois começam de onde você parou, se quiserem.

É simples gafanhoto, é simples. Só não é fácil, mas é simples...e no fundo vale a pena...mas isso só sabe quem tenta. Você sabe, ganhoto...você sabe!

A Voz.

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sábado, 16 de março de 2013

Estou fora

Não rejeito a noção psicológica de pecado, esse pecado que habita do lado de dentro, que gera uma culpa que aprisiona e que é enfraquecido (ou mesmo anulado) por certa fé num certo amor de um certo Deus. Eu nem rejeito isso. Mas isso é tão...pouco! É uma espécie de "instância" tão pequena de pecado, é um pecado tão privado, tão individual, tão psicologizado, tão desconectado de conjunturas socio-políticas, é um pecado tão sem chão que (só pra citar um exemplo) quando faz uso de algum profeta (que outrora denunciava pecado nessa dimensão mais ampla) o transforma em guru de auto-ajuda! Faz dele um porta-voz de certa moralzinha burguesa, de certa cartilhazinha a ser seguida por quem almeja o sucesso. Mesmo os evangelizadores mais bacaninhas, mesmo os que não são picaretas, costumam reduzir o pecado a essa esfera psicológica. Ai, pra isso, basta falar dessa graça de Deus que tira o peso da culpa e dá o conforto necessário para que o sujeito volte para o seu empreguinho e continue trabalhando para fazer girar a roda do Poder. Tudo sem conflito, numa espécie de gozo espiritual e até na certeza de que é abençoado por Deus...e tudo continua como dantes no quartel d'Abrantes!

Eu estou fora!

Abraçei os meus incômodos. Parei de me desviar dos machados que caiam sobre a minha cabeça. Resolvi deitar com as minhas agonias na esperança de engravidá-las e fazê-las parir...parir algo novo.


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terça-feira, 12 de março de 2013

Estou perdido

O Mateus de hoje ocupa a gerência do banco do Império. A serviço da iniquidade, subjuga os seus semelhantes, vende-lhes uma felicidade que vem de cima pra baixo e que é definida por uma moral que também vem de cima pra baixo. Daí ele fazer uso dessa moral que o coloca como o ideal de vida e que esvazia os que não alcançaram o seu sucesso.

Ah, o sucesso!

Esse Mateus jamais atenderia o chamado de Jesus, pois não discerne onde está, nem o mal que é levado a fazer. Não guarda o menor vestígio de incômodo pela sua condição. Ao contrário, dorme em paz, feliz com o que faz.

Pois bem, é esse Mateus (que jamais atenderia o chamado de Jesus) que, hoje é, não só discípulo de Jesus, mas o encarregado de fazer discípulos!

Definitivamente, estou perdido.

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Comida que nasce em casa: Janeiro de 2013

Balanço do mês de Janeiro da minha micro-produção de pé de parede e de fundo de quintal.

Janeiro/2013:
Ovos (unid) - 44

Humus de minhoca (kg) - 2
Composto peneirado (balde de 18litros) - 2
Pimentão (unid) - 2
Maxixe (unid) - 82 (52 em casa e 30 que passaram para o lado do vizinho. Nada mal para um pé de parede!).
Cebolinhas - o mês todo
Rúcula - o mês todo
Capim Santo (número de colheitas para 1 jarra de suco) - 3
Hortelã (número de colheitas para 1 jarra de suco) - 3
Romã - 5

Experimento do mês:
Casa dos porquinhos da india (cortador de grama vivo)

Para Fevereiro:
Colheita de maracujá, mais maxixe e pimentão
4 baldes de húmus - minhocas processando
Girassóis - florindo
Tomates e folhas - plantados
Mais uns 40 ovos
Mais não sei quantos baldes de composto peneirado
E por ai vai.


PS: Não pesei a quantidade de resíduo da cozinha que deixou de virar lixo e passou a ir para o galinheiro virar ovo, ou então para os baldes das minhocas virar húmus. E também não pesei a quantidade de "lixo" (folhas da rua, poda de grama dos vizinhos) que passei a colocar dentro de casa. E nem a quantidade de borra de café que o amigo Wilton Matos me dá todo mês, que também deixou de ir para o lixo da empresa onde ele trabalha. Em fevereiro passarei a pesar essas coisas. O número será assustador.

Algumas fotos:

Fauna e Flora.
Não comem ração, apenas resto de comida das panelas, folhas do jardim, milho umas duas vezes por mês e, agora, minhocas.
 

Maxixes e rúculas
 

Maracujás (10 só nessa foto)
 
Pimentões
 

Composto peneirado
 

Casinha dos porquinhos da india / Cortador de grama vivo
(Na foto ainda sem a tela e sem os porquinhos)
 

E o melhor, a causa e o propósito de tudo isso: o filho (vídeo abaixo)....que sabe o nome das plantas, ajuda o papai a fazer a casinha, brinca de plantar sementinha e de agoar a grama, que arranca cebolinha, rúcula, hortelã e manjericão pra comer, que passou a comer um ovinho mais saudável e pede pra comer pimentão antes de dormir!



Agradecimentos óbvios à turma inspiradora da Casa da Videira em Curitiba (Claudio Oliver e Eduardo Feniman) e à amada esposa que abraçou a causa e hoje é parceira.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Paulo, Tico, Teco e os cristãos

A "justificação por meio de Cristo" a 2 mil anos atrás: Paulo tentando minar as diferenças e o sectarismo promovidos pela jactância dos que se consideravam auto-justificados. Paulo tentando igualar a todos debaixo de uma mesma condição. Paulo a todo instante repetindo: "Vocês não são diferentes deles, parem com isso, deixem de ser bestas, vejam...vocês estão unidos por adão, pelo pecado, pela filiação a abraão, por cristo. Do começo ao fim vocês são iguais. Onde está a diferença que faz de vocês melhores do que eles?" Paulo tentando minar um paradigma regulador e substituí-lo por um emancipador.

A "justificação por meio de Cristo" 2 mil anos depois: Os cristãos tentando fazer o oposto, INDIVIDUALIZANDO A JUSTIFICAÇÃO por meio de Cristo, que virou ferramenta para separar melhores de piores. Cristo passou a ser o que separa. Gloriem-se nEle, deixou de ser: "Parem de se gloriar pelo que vocês pensam que lhes diferencia daqueles ali e gloriem-se em Cristo, em quem vocês todos são iguais!" e virou: "Gloriem-se em Cristo, que lhes diferencia e os torna melhores do que aqueles ali!"

Se o tico e o teco estão bem, é mais ou menos por ai.


Alguma igreja quer me convidar para conduzir um estudo da carta aos Romanos? rsrs


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

No início era a carroça

No início era a carroça. Uma apenas. Todos precisavam seguir adiante compartilhando dela. Ocorreu que uns começaram a puxá-la para um lado e outros para o outro, o que impossibilitou que a vida seguisse em harmonia. Diante da confusão surgiu a solução. Eis que alguém sugeriu que aquela carroça não tinha importância, que, na verdade, cada um tinha uma carroça particular dentro de si, que essa sim era a importante e que, agora, cada um poderia puxar a sua carroça interior para o lado que quisesse. Todos passaram a se ocupar com as suas carroças interiores e deixaram a carroça de verdade ser guiada por quem havia proposto a solução. E, assim, todos viveram felizes para sempre.

Da série: Parem a carroça que eu quero descer

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Seu Paulo

"Deus retribuirá a cada um conforme o seu procedimento. Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade. Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça." Paulo aos Romanos

O cara que disse isso não estava psicografando um decreto do céu. Isso não é exatamente um código de conduta, até porque se é fracassou, produziu o que pretendia combater. As pessoas ficaram egoístas buscando o bem, glória, honra e imortalidade! Isso é um fato. Então, trata-se de outra coisa. Isso é um pronunciamento mais político do que espiritual (considerando esse dualismo platônico-cristão "céu e terra")! Antes de dizer essas coisas, o seu Paulo estava descrevendo a iniquidade do Império Romano e, nessas palavras, está dizendo a quê aquela iniquidade toda estava destinada. E ele dizia isso para orientar os cristãos que viviam no meio daquilo a não se contaminarem com aquilo, com o Sistema que lhes garantia o emprego! Há de se supor, portanto, que seja possível viver nas rachaduras do sistema.

Então para usar essa fala de Paulo nos dias de hoje é preciso psicologizar menos, pois ela não se aplica aos pecadozinhos interiores que habitam na subjetividade produzida pelo próprio Sistema e que são "tratados" com o moralismo cristão (mais uma ferramenta do Sistema). Um tratamento que, no final das contas, só produz bons cidadãos, mão-de-obra, pessoas dóceis, governáveis e bem sucedidas dentro do mundo-Sistema. Percebem no que dá tirar a mensagem do chão e o chão da mensagem? Para usar essa fala de Paulo, é preciso ser minimamente coerente e preservar um um chão para ela, se não aquele, o de hoje. Assim é preciso trocar o Império Romano por outro. Que tal o Império Capitalista?

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O reino de Deus não é comida nem bebida

O reino de Deus não é comida nem bebida...

Não é a intriga partidária em torno da comida e da bebida: "pode comer isso, não pode comer aquilo", "pode beber isso, não pode beber aquilo". Intriga que, óbvio, separa puros de impuros, bons de maus, (hoje) os que vão pro céu dos que vão pro inferno e, é óbvio (de novo), garante aos primeiros poder sobre os segundos! O Reino de Deus não é um inferno desse!

Assim, o Reino de Deus também não é o conforto concedido à classe média, hein! O Reino de Deus não é o privilégio que só pode ser concedido a uns poucos justamente por ser negado a outros muitos. Não é! Por mais que você coloque nessas coisas um adesivo dizendo que foi Deus que lhe deu!

Da mesma forma, o Reino de Deus não é o mercado de trabalho! Por mais que você peça pra Deus abrir portas de emprego!

Assim, farinhadomesmosacomente, o Reino de Deus também não é a sua igreja, por mais que você mande pintar o nome de Jesus nas paredes!

E por ai vai...

Ah, e o Reino de Deus, não é o Estado hein! Por favor!

O Reino de Deus não é baseado em epistemologias reguladoras!

Ah, e esse "O Reino de Deus não é..." de Paulo não é uma epistemologia reguladora, é antes emancipadora!

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Próximo texto: Ah!

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ah...

Ah essa tal despolitização...que nos arranca do chão, do lugar da abundância de vida (do jardim!) e nos oferece a caricatura. Ah, como preferimos as caricaturas. Ah como preferimos as metáforas que nos tiram do chão. Ah como preferimos o arrebatamento psicológico despolitizante. Ah como detestamos jardins. Ah como gostamos de tutela. Ah como servimos voluntariamente!

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sobre principados e potestades

Ó...abaixo um trecho de "Discurso sobre a servidão voluntária" de Etienne de La Boétie...escrito em 1500 e bolinha, que eu relacionei irresponsavelmente com os termos "Principados" e "Potestades" usados por Paulo (o apóstolo).

Se você é crente, sugiro ler sem essa mania de crente de metaforizar tudo, assim fica mais fácil perceber (como diz meu amigo Al Tiririca Duarte) que Paulo foi buscar os termos "Principados e Potestades" nas estruturas hierárquicas que conferiam a um homem (ou a alguns) o poder de governar todos os outros...que é o assunto do texto abaixo.

Segue:

______

"...parece que vos sentis felizes por serdes senhores apenas de metade dos vossos haveres, das vossas famílias e das vossas vidas; e todo esse estrago, essa desgraça, essa ruína provém afinal não dos seus inimigos, mas de um só inimigo, daquele cuja grandeza lhe é dada só por vós, por amor de quem marchais corajosamente para a guerra, por cuja grandeza não recusais entregar à morte as vossas próprias pessoas.

Esse que tanto vos humilha...uma só coisa ele tem mais do que vós e é o poder de vos destruir, poder que vós lhe concedestes. Onde iria ele buscar os olhos com que vos espias se vós não lhos désseis? Onde teria ele mãos para vos bater se não tivesse as vossas? Os pés com que ele esmaga as vossas cidades de quem são senão os vossos? Que poder ele tem sobre vós que de vós não venha? Como ousaria perseguir-vos sem a vossa própria conivência?

...

Semeais os vossos frutos para ele pouco depois calcar aos pés. Recheais e mobiliais as vossas casas para ele vir saqueá-las, criais as vossas filhas para que ele tenha em quem cevar sua luxúria. Criai filhos a fim de que ele, quando lhe apetecer, venha recrutá-los para a guerra e conduzí-los ao matadouro, fazer deles acólitos da sua cupidez (coroinhas da sua cobiça) e executores das suas vinganças. Matai-vos a trabalhar para que ele possa regalar-se e refestelar-se em prazeres vis e imundos. Enquanto vós definhais, ele vai ficando mais forte, para mais facilmente poder refrear-vos. E de todas as ditas indignidades que os próprios brutos, se as sentissem, não suportariam, de todas podeis libertar-vos, se tentardes não digo libertar-vos, mas apenas querer fazê-lo."

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hugo lucena theophilo
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Esse cara sou eu

Vamo lá...imagine um cara cansado dos expedientes do mundo; cansado do contrato social; cansado dos papéis, das hierarquias e das relações de poder não confessadas; da maneira, inclusive, como essas coisas haviam entrado em sua casa e como moldavam a sua relação conjugal e até a relação com o seu filho. Ai imagine que esse cara ouviu falar na proposta de um certo Jesus que andava nas rachaduras dessa merda toda. Imagine agora que o cara ouviu falar que esse tal Jesus tinha muuuuitos seguidores espalhados por ai e que eles se juntavam para promover coisas. Agora imagine o óbvio...que ele foi atrás de encontrar esse povo pensando, enfim, encontrar outro modo de vida...de vida, hein! Agora imagine o que ele encontrou: seguidores de Jesus clamando por tudo aquilo que ele já não queria mais!

Da série: Esse cara sou eu!

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Deus precisa de corpos

Vá lá que, às vezes, Paulo faz uso de um horizonte abstrato, uma certa metafísica para falar de Justiça. Mas, convenhamos, ele desce essa Justiça a uma concretude esmagadora para nós que conseguimos extinguir tudo da existência por meio dessa nossa espiritualização psicologizada; nós que imaterializamos qualquer coisa, inclusive essa justiça que termina nem precisando de corpos; nós que nos permitimos existir única e exclusivamente dentro dessa coisa inventada ontem que se convencionou chamar de indivíduo. Indivíduo: essa entidade mística e pura que habita um mundo celestial justo enquanto o seu corpo/avatar mantém a ordem injusta das coisas.

"Não ofereçam os membros do corpo de vocês...como instrumentos de injustiça; antes...ofereçam os membros do corpo de vocês...como instrumentos de justiça."

São Paulo em Carta aos Romanos

Domingo plantei um pé de acerola num espaço dado como inexistente.


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sábado, 22 de dezembro de 2012

Eu já pensei que todo mundo fosse filho de papai noel

Eu já pensei que todo mundo fosse filho de papai noel
Depois que só alguns fossem filhos de papai noel
Depois que só eu fosse filho...
Depois que nem eu fosse...
Depois eu perdi a fé no papai noel
Fiquei chato e desejei que o mundo acabasse
E me disseram que Jesus andou propondo o fim desse mundo
Ai eu passei a gostar de Jesus
Mas eu pensei que nem eu fosse filho de Deus
Depois eu pensei que só eu fosse filho de Deus
Depois que alguns fossem filhos
Hoje eu penso que todos são

Além de chato, eu fiquei doido.

Feliz Natal

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hugo lucena theophilo
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sábado, 8 de dezembro de 2012

Sobre chãos psicologizados, graviolas e macaxeiras

"É o meu ponto de vista / Não aceito turistas / Meu mundo está fechado pra visitação" - Dudu Falcão

Pensa-se ser possível experimentar o chão sem pisar nele, ter ao mesmo tempo um espírito nômade e um lugar confortável. Assim nasce esse mundo particular, individual, fechado para visitação, protegido, o mundo do chão psicologizado. Pensa-se ser possível colocar o caminho dentro da cabeça/coração/alma sem que o corpo o atravesse.

Psicologizar o chão é como viver um céu esquecendo a terra. O resultado é o mesmo: homens arrancados da experiência do chão comum (insuportavelmente coletivo) produzindo e vivendo uma infinidade de céus, quase todos em conflito!

Sequer sabemos que há coisas que só acontecem no caminho. Saímos do sistema do templo, cujos muros impediam a convivencialidade, e caímos nas psicologias que fazem o mesmo: produzem indivíduos de sucesso sem comunidade. Temos a impressão de escapar desse individualismo quando juntamos pessoas ao nosso redor, mas, com frequência, nos juntamos para socializar impressões individuais sobre chãos privados ou, menos ainda, para ouvirmos a exposição que uma única pessoa faz do seu chão individual.

Talvez a comunhão seja mais pisar no mesmo chão do que socializar impressões. Ou talvez seja as duas coisas e nós é que perdemos a primeira.

As melhores teologias nasceram do chão, das coisas feitas à mão.

Já as nossas canções mais nobres de amor mostram o quanto os nossos mundos particulares loucamente precisam submeter e diminuir o mundo que existe, sob o risco de não conseguirem se expressar adequadamente:

"Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor nem mais bonito..."


"Nem o sol nem o mar, nem o brilho das estrelas, tudo isso não tem valor sem ter você..."


"O sol, a lua, as estrelas e o mar nada se compara ante a sua formosura..."


E nós que fazemos parte de uma tradição que partilha o alimento cultivado em comunidade...como fazemos isso sem terra e sem comunidade?

Esses dias o Luis me deu uma graviola e uma macaxeira. Comeremos a macaxeira cozida acompanhada de suco de graviola com hortelã-menta...talvez ovos do quintal com tomates do jardim. Comida sem preço, produzida pelo homem na sua relação com a terra (e não com o dinheiro), comida colhida do chão (não da prateleira do SuperMercado), vestígio de comunidade em meio a um vale de ossos secos e empregados!

Lampejo de esperança de que outra vida é possível.


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hugo lucena theophilo
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Sobre tempos, corpos e travessias - http://tinyurl.com/caot756

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sobre tempos, corpos e travessias

Trocando minimamente o carro pela bicicleta, tenho experimentado uma relação diferente com o tempo. Eu já sabia na pele que o automóvel é um instrumento facilitador do contexto fast-tudo, onde o tempo devora os corpos, onde Cronos exige que os corpos se apressem. De bicicleta (ou autopropelido) a relação com o tempo muda um bocado, ela meio que inverte e o corpo é quem impõe os seus limites ao deus Cronos. O tempo que o relógio marca perde força. O corpo passa a conhecer o espaço por onde passa e a se relacionar com ele. E o deslocamento adquire uma importância que não tinha. A travessia, mais do que a chegada, se mostra prazerosa.

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hugo lucena theophilo
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sábado, 24 de novembro de 2012

Homem que faz o mundo que faz o homem...

Não deveria ser difícil admitir que isso que chamamos de realidade é construido socialmente; que a palavra do homem produz o mundo; que o homem produz a sua ordem (kosmos) por meio da linguagem. Os que se acreditam semelhantes ao Deus que criou por meio da Palavra não deveriam ter dificuldade em admitir isso.

"Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança..."

Como que dizendo: Coloco vocês na vida para serem semelhantes a mim; não se esquivem da necessidade de abraçar o chaos, de andar sobre ele, para construir a história.

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hugo lucena theophilo
http://hugotheophilo.blogspot.com
"Cada um de nós, e cada um dos grupos em cujo seio vivemos e trabalhamos, deve se tornar o protótipo da era que desejamos criar." - Ivan Illich

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Na cacunda de Brueggemann

Quem dizia sobre um mandamento novo, mas que existia desde o princípio, queria o mesmo que o outro que dizia: "Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados." Ambos, elogiando o passado e a angústia, queriam tornar pública a expressão da esperança que subversivamente enxerga a novidade, rompendo com a mentalidade do rei que, dizendo não haver nada de novo debaixo do sol, instalava um presente sem fim, inquestionável e inalterado.


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hugo...na cacunda de W. Brueggemann
"Cada um de nós, e cada um dos grupos em cujo seio vivemos e trabalhamos, deve se tornar o protótipo da era que desejamos criar." - Ivan Illich

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Elas entram primeiro

Ela vende o corpo pra ganhar dinheiro. É doente mental e, nessa história, já tem 3 filhos de 3 homens diferentes que sequer sabe quem são. Todos os filhos doados.

Incomodado, fiquei pensando por que isso acontece. Não é uma pergunta teológica. Talvez sociológica (dependendo do que se entenda por sociologia). Por que uma pessoa fora dos padrões tem acesso tão fácil à prostituição? O que acontece? O que está envolvido? Por que uma pessoa como ela não cai, com a mesma facilidade, nos braços de uma comunidade que compartilha e produz saberes, conhecimento, arte...por que? Quando faço essas perguntas dou um tempo pra ver se a resposta vem...se alguém invisível me responde, já que pergunto em silêncio. Passei uns minutos sem respostas, mas logo começaram a chegar. Então, a partir daqui é psicografado...rsrs...já não sou eu, são as vozes. Pois é, eu ouço vozes!

O sexo é uma das poucas manifestações da vida que não foi completamente capturada, institucionalizada, sistematizada, burocratizada. Quanto mais a vida está capturada em suas manifestações, menos alternativas livres restam para quem não tem capacidade de se submeter aos padrões, aos rostos (rostificação: o tal mecanismo de aprisionamento da vida). Quando tudo o que existe são rostos, o que sobra é a margem, aonde a vida consegue escapar: a rua, o sexo...o sexo na rua, por exemplo. Comunidade, produção de saber e de bem-viver não são manifestações livres. Existem sistemas de poder cujas existências já pressupõem o controle da vida. Estado e Religião são dois (há quem diga que são um só!). Seus funcionários culpam aquela moça sem se darem conta de que trabalham para a indústria que produz aquela situação. Vivem de dizer que a moça é culpada pela vida que leva e vivem de oferecer seus produtos como solução para o problema que criam. Talvez por isso Jesus tenha dito que, no Reino de Deus, moças como aquela entram primeiro do que esses funcionários.

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hugo lucena theophilo
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Da série: Como que dizendo...

"O que você quer que eu lhe faça?", perguntou-lhe...como que dizendo: deixe-me ver o que é que te habita. E com a resposta do cego, sorriu de alegria. O homem queria ver...tinha fome...estava vivo!

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hugo lucena theophilo
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sábado, 13 de outubro de 2012

Colonização, Bundalização e Faustão

Veja o programa do Gugu, do Faustão, o Pânico, essas bandas de forró (e até a Xuxa antigamente) ou qualquer dessas coisas comerciais que hiper-sexualizam a nós e aos nossos filhos;

Veja essas coisas que têm como estratégia forjar uma libido e depois apelar para ela (como quem acende um fogo e depois vende o extintor);

Veja essas coisas e depois leia a carta de Pero Vaz de Caminha.

Veja de trás pra frente (com o perdão pelo trocadilho) como a bundalização é consequência da moral cristã colonizadora assombrada pelo que encontrou: índio pelado*... uma moral que demoniza o corpo e sofre da agonia de desejar o proibido. Veja como o fenômeno da bundalização mostra que a colonização foi bem sucedida e que nós somos mais filhos do Império do que dos índios que viviam aqui; e ainda, como esse proibido/desejado foi percebido pelo Capitalismo que industrializou a bunda e passou a produzir o produto em larga escala.



* Um povo completamente alheio ao nomos oficial e, por isso mesmo, denunciador da sua precariedade e da maneira mais imediata (à primeira vista), ou seja, no trato com o corpo nú.


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hugo lucena theophilo
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Criança também come...

Criança também come pimentão, rúcala, castanha e até manjericão.
Criança também come amendoim, come até alho que adulto acha ruim.
Criança também come tangerina, tapioca com manteiga, queijo coalho e cajuina
Banana quando acorda, cuzcuz e até coentro, tomate sem veneno desde quando é bem pequeno
Criança também come cebolinha, come acerola quando chega a tardinha
Criança come jambo, cajá e siriguela, suco de laranja e canjica com canela
Criança come manga com leite integral
Doce, pirulito e guaraná é que fazem mal


...continuo depois 

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 hugo

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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Alfa-beta-norma-tizado

O nome das coisas é só uma pequena parte do que se pode conhecer sobre as coisas. Você não precisa saber o nome das ruas para conseguir andar por elas. Você não precisa conhecer a teoria e a "gramática" musical para ser um músico extraordinário. A vida passa pela linguagem, mas a linguagem não tem a capacidade de confinar a vida. A vida é livre. Há sabedoria fora das catedrais do saber. Há saude fora dos templos médicos. Há um Deus que não tem nome e que não habita em templos feitos por mãos humanas! Coisa difícil de entrar na cabeça de um ocidental alfa-beta-norma-tizado!



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hugo lucena theophilo

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Recurso Humano

O termo Recurso Humano é, talvez, o melhor exemplo da inversão da relação homem/ferramenta promovida pelos modos de produção do nosso tempo; o melhor exemplo do homem cooptado pela obra de suas mãos. Houve tempos na história da humanidade em que os modos de produção eram recursos a serviço do homem. No nosso tempo o homem é um recurso a serviço dos modos de produção.

A crítica do J. Ellul ou a crítica do I.Illich, portanto, não são uma cisma besta com a tecnologia e a ferramenta, são críticas à inversões de valores que aprisionam a vida. Só são críticas dirigidas ao homem e seus recursos na medida em que esses recursos produzem homens enfraquecidos.

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hugo lucena theophilo
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