sábado, 5 de junho de 2010

Discipulado (im) possível

"Só sei que nada sei". A consciência de não-saber não resulta em falta de saber. Aliás é enquanto se sabe, na medida em que se sabe e quanto mais se sabe, que se declara: "Só sei que nada sei".

A consciência de não-saber sobre Deus não resulta em ausência de saber. Aliás é enquanto se sabe de Deus, na medida em que se sabe e quanto mais se sabe Dele, que se declara a impossibilidade de conhecê-lO.

A consciência da impossibilidade do discurso sobre Deus não resulta em ausência de discurso, apenas torna o discurso consciente da sua fragilidade. Consciente de que "Deus é Deus e não a fala sobre Deus" e de que "Devemos falar sobre Deus sabendo que não podemos falar sobre Deus." (Barth)

A consciência da impossibilidade do discipulado não resulta em ausência de discipulado. Aliás é sendo discípulo que se conscientiza sobre a impossibilidade de sê-lo. É enquanto se é, na medida em que se é e quanto mais se é, que se declara: "Eu não consigo seguir Jesus".

A consciência de não-saber confirma o saber. O sábio é o que sabe que não sabe.

A consciência da impossibilidade do discipulado confirma a caminhada com Jesus. Discípulo é o que sabe que não segue.

Mais uma vez: o discípulo só amadurece quando o engano do "ainda que todos te abandonem eu nunca te abandonarei" vira um constrangido "Sim, tu sabes que eu te amo".

O discipulado é o chamado para a leveza e para o alívio: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei..."

A consciência da impossibilidade de seguir Jesus não é um tormento, um jugo novo e mais pesado. Ela é só a constatação dos que seguem.


no Caminho


hugo


5 comentários:

Ivo Fernandes 7 de junho de 2010 às 08:55  

Mano, nada mais a acrescentar

Deus o abençoe

René 7 de junho de 2010 às 13:47  

Amado Hugo,

Essa frase daquele jogador do Coríntians, da década de 80, é instigante, mesmo.

Brincadeira à parte, você discorreu acertadamente nessa premissa. Maravilha mesmo!

Dentro do que você concluiu brilhantemente na questão do discipulado, entendo que o arrependimento, pregado por Jesus, seja definitivamente esclarecido: arrepender-se não é apenas dar meia-volta, uma conversão acompanhada de uma dor piedosa. É mais do que sofrer dor por causa do passado, por ter feito o Senhor sofrer. E é muito mais do que, simplesmente, se afastar dos pecados da carne. Arrependimento é nos afastarmos completamente da insanidade que é pensar que podemos compensar a Deus, de alguma forma, por nossos pecados. Em outras palavras, é dizer: "Para mim, é impossível seguir a Jesus! Não consigo ser santo e refletir a imagem de Jesus. A menos que já não seja mais eu quem viva, mas que Ele viva em mim, porque eu não sei de nada!".

É por isto que Jesus é a nossa sabedoria, a nossa justificação, a nossa santificação e a nossa redenção (1Co 1.30).

Hugo, gostaria que você soubesse que este é um dos melhores (senão o melhor) blogs que visitei. Não vi tudo, ainda, mas, pelo que vi, o conteúdo é excelente. Parabéns!

Que a Paz do Senhor Jesus continue com você, sua família e seus leitores!

Anônimo,  7 de junho de 2010 às 14:03  

Ei, Hugo, que bom ouvir sua opinião. É exatamente assim que eu me sinto, que não sei de nada. Eu achava que isso era ruim, mas esse texto vai me fazer refletir. Só não quero agora ficar orgulhosa e pensar: "Ah, eu não sei de nada. Que bom!!" Acho que a palavra chave é fragilidade, porque se a gente usar a ignorância para se orgulhar, então não vale nada. Aí vai parecer com aquele piada: "Me orgulho da minha humildade".

Obrigada por sus reflexões sempre lúcidas.

Bjs,
Débora

Hugo Lucena Theophilo 7 de junho de 2010 às 16:58  

Débora, eu que agradeço pelo seu retorno. A intenção do texto era somente até o ponto em que leva à sua reflexão. E fico feliz por saber que serviu. Sobre o risco do orgulho é verdade, ele existe, mas isso é outro assunto, é um desdobramento, por isso não cabia nesse textículo...rs. Não dá para escrever textículos contemplando todos os desdobramentos da idéia. Escrevendo livros talvez dê para fazer isso, mas eu só consigo escrever em blog...rsrs

René, você foi muito generoso comigo..rs

Ivo, meu pastor, como sempre nada a acrescentar...rs

bj em vocês

André Luiz 8 de junho de 2010 às 16:58  

Ora, se aquele que é Deus, enquanto andou entre nós, não teve por usurpação o ser igual a Deus...

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