domingo, 12 de setembro de 2010

Armação gospel

"Por legitimação se entende o "saber" socialmente objetivado que serve para explicar e justificar a ordem social.

A religião foi historicamente o instrumento mais amplo e efetivo de legitimação. Toda legitimação mantém a realidade socialmente definida. A religião legitima de modo tão eficaz porque relaciona com a realidade suprema as precárias construções da realidade erguidas pelas sociedades empíricas.

A melhor maneira...seria aplicar a seguinte receita: interprete-se a ordem institucional de modo a ocultar o mais possível o seu caráter de coisa construída.

Que as pessoas esqueçam que esta ordem foi estabelecida por homens e continua dependendo do seu consentimento. Que acreditem que, executando os programas institucionais que lhes foram impostos, limitam-se a realizar as mais profundas aspirações do seu ser e a se porem em harmonia com a ordem fundamental do universo.

A religião legitima as instituições infundindo-lhes um status ontológico de validade suprema, isto é, situando-as num quadro de referência sagrado e cósmico.

Pode-se proceder a isto de diversas maneiras. Provavelmente a mais antiga forma dessa legitimação consista em conceber a ordem institucional como refletindo diretamente ou manifestando a estrutura divina do cosmos...Tudo "aqui embaixo" tem o seu análogo "lá em cima". Participando da ordem institucional, os homens participam do cosmos divino.

Ou em outro caso decisivo, a estrutura política simplesmente estende o poder do cosmos divino à esfera humana. A autoridade política é concebida como agente dos deuses, ou idealmente até como uma encarnação divina. O poder humano, o governo e o castigo se tornam, assim, fenômenos sacramentais, isto é, canais pelos quais forças divinas são aplicadas à vida dos homens para influenciá-los. O governante fala em nome dos deuses, ou é um deus e obedecer-lhe equivale a estar em relação correta com o mundo dos deuses."

Peter Berger em "O Dossel Sagrado"
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Isso ai é o Sr. Berger tirando algumas escamas dos nossos olhos.

Trocando em miúdos, é o seguinte: a legitimação mais eficiente é a que usa o nome de Deus. Dai os principais vagabundos gospel deste pais reivindicarem um status espiritual e começarem suas picaretagens com o famoso "Assim diz o Senhor...".

Entendeu?

Picaretagem legitimada e o nome de Deus usado em vão.

QUALQUER SEMELHANÇA COM FATOS, PESSOAS, ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS RELIGIOSOS, DOUTRINAS DE COBERTURA ESPIRITUAL OU LÍNGUAS ESTRANHAS LEGITIMANDO IDIOTICES NÃO É MERA COINCIDÊNCIA...MESMO!

Exercício de casa: Liga a TV...meu amigo, minha amiga! E fuja dos Malas...e dos Faias.


hugo theophilo...o theophilo não é legitimação...é sobrenome mesmo...rsrs


1 comentários:

porele 24 de setembro de 2010 12:09  

É de fato, uma estratégia ancestral...

Legitimar os atos despóticos de um líder ou instituição pela alegação de que os tais possuem uma "investidura sagrada" não é novidade...

Vide o caso dos faraós do antigo Egito, ou monarcas como Luís XIV, conhecido como Rei-Sol, que certa vez chegou a declarar:

- "Eu sou o Estado!"

Vemos alguns líderes que, de forma velada, dizem:

- "Eu sou o ministério" ou "Eu sou a igreja"

Vide o material "publicitário" destes comerciantes da fé... Tudo é centralizado na imagem do líder! Ele é o ministério! O ungido, sagrado, blindado e inconteste!

misericórdia Senhor!

Abraços!

Carlos

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