terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A morte como desjejum

5:50 da manhã indo pro trabalho.

De repente na rádio da van uma notícia: "32 pessoas morreram no Ceará nesse Natal...nesse feriado de Natal 32 pessoas morreram no Ceará." 

O radialista segue dizendo mais ou menos quem, como e onde morreram: "5 adolescentes foram mortos, um vigia de escola se matou..."

Enquanto ele fala toca ao fundo uma música de programa policial. Se ele fala o volume da música diminui, se para de falar o volume aumenta. Talvez seja automático, a voz deve cortar a música. Eu não acredito que alguém se preste a ficar controlando um botão de volume daquele jeito. O fato é que não tem silêncio, não tem pausa...e não estou falando de 10 segundos, estou falando do fôlego de uma vírgula, de um ponto!

Ao fim da notícia o nome do programa com aquela voz de vinheta de rádio: Café Expresso!

Depois disso segue a programação normal da rádio: uma música do Belo falando de "amor"...do amor da preferência!

Resumo da ópera:
A morte banalizada
A agitação que não permite o silêncio de uma vírgula
A pregação imbecilizante de um "amor" que não é amor
E tudo isso ingerido como desjejum (Café Expresso);

Depois o cara não entende porque sente um vazio na alma!

Ora, é simples: é fome!


hugo theophilo


3 comentários:

Adriana 28 de dezembro de 2010 11:34  

Fome essencial, mano.

Estamos em quantos no mundo? 7 bi?

As pessoas estão cada vez mais sozinhas, a insensibilidade é notória, existe um afastamento emocional de tudo que nos identifica como HUMANOS.

Ontem andando pela rua com meus dois filhos, vi uma jovem senhora dormindo na calçada, aconchegada ao canto da parede, em uma avenida bem movimentada.

Eu não consegui continuar.

Eu tenho que parar, olhar, chorar, me identificar e cuidar.

O Pastor passou a vara e cajado no meu pescoço e me disse faça o mesmo.

Cheguei e casa e pensei em quantas vezes eu já presenciei este fato, e estava muito apressada feito o levita.

Eu preciso de mais coragem.

Hugo Lucena Theophilo 28 de dezembro de 2010 12:51  

Talvez a coragem seja como a fé. Quando a gente pensa que precisa de muita vem Deus e diz que basta um grãozim para fazer coisas inacreditáveis.

bjo.

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