domingo, 29 de novembro de 2009

Culpa essencial

A culpa...

Existe uma necessária, não-moral, que transcende a culpa sobre o que se faz ou deixa de fazer. Uma culpa essencial, presente até (e sobretudo) no santo! Culpa...sem a qual é impossível uma tomada de consciência.

Ai vi Paul Tillich dizendo isso aqui:

"...ser aceito não significa que a culpa está negada. O assistente que cura, caso tentasse convencer seu paciente de que ele não é realmente culpado, prestar-lhe-ia um grande desserviço. Impedi-lo-ia de incorporar sua culpa à sua auto-afirmação. Deve ajuda-lo a transformar os sentimentos de culpa deslocados, neuróticos, em genuínos, que são, por assim dizer, colocados em seu lugar certo, porém não lhe pode dizer que nele não há culpa. Ele aceita o paciente em sua comunhão, sem nada condenar e sem nada encobrir."

Lembrei do que escrevi aqui outro dia --> A culpa, a consciência e o cínico

hugo


2 comentários:

Suderland 30 de novembro de 2009 13:31  

Paz mano,

Me permita conversar um pouco com vc sobre culpa. A questão é a seguinte, como conciliar o que Paul Tillich disse no trecho que você destacou com esse trecho de uma reflexão do Caio:

"Mas somente quando se toma consciência de que Jesus se fez pecado, culpa e vergonha por nós...é que se está no caminho da libertação da culpa...a fim de que se vá aprendendo a viver sem ela...até que se entre na Paz.

...Somente no Segundo Adão, e em Sua obra Consumada aos olhos do Criador—quando se fez pecado por nós—, é que a culpa pode cessar por completo. Somente quem crê que Deus aceitou como Consumado tudo o que o homem devia a Ele; e crê que o Primeiro Crente é Deus, pois Ele creu no Sacrifício de Cristo; e crê que se Deus Aceitou a Cristo, então quem o aceita, aceita aquilo e Aquele que por Deus foi aceito no lugar de todos os homens—Sim, somente este ser humano vai começar a entrar na Paz!"

E o que você entende que o autor de Hebreus quis dizer com pecar "voluntariamente" (Hb.10:26)? Você acha que tem a ver com pecar cinicamente, sem culpa? Ou, no contexto do texto, é abandonar a Graça para voltar para literalidade da Lei?

Paz!

Hugo Lucena Theophilo 3 de dezembro de 2009 18:48  

Paz Suderland,

Não é preciso conciliar Caio e Tillich nesse sentido porque eles não divergem. Entendo que essa culpa a que o Caio se refere falando da libertação dela, é a mesma que para Tillich gera a tal ansiedade da condenação, aquele medo do inferno que a religião prega tão bem e que só adoece a alma. Libertação dessa culpa, de fato, só pela fé que crê que Jesus fez tudo. Essa é a conclusão do Tillich também. Portanto não há o que conciliar. O Caio sabe da culpa essencial e necessária, fruto da condição caida. Aquela culpa que faz João dizer: "aquele que não peca mente...", a mesma culpa que faz Paulo dizer: "miserável homem que sou..." ou ainda "todos pecaram...". O Caio fala muito sobre isso, e é dele a frase "Culpa é graça" (a tal culpa essencial). Ai basta lembrar que quem não tem consciência de culpa não vê sentido em Jesus. Simão o Fariseu, é o exemplo imediato que me vem à mente. Já os que têm tal consciência se prostram aos pés dele. Sobre Hebreus 10.26 falamos depois...rsrs. Abraço cara.

hugo

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