quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Corto com facão, capo e jogo fora!

Fui uma criança medrosa. Tudo o que fiz foi internalizar proibições. A presença de qualquer adulto desconhecido me fazia murchar. Eu via adultos como monstros que só serviam para constatar a minha insuficiência (em ser adulto). Freud me foi pesado! A escola, edipiana que é, só coagiu singularidades, retardou encontros tão necessários e inevitáveis e atrasou o meu processo de resistência. Faltou quem me dissesse que adultos não são deuses. Faltou quem me dissesse que adultos erram e (pior) ficam tristes por isso!  Pudera! Adultos são crianças caídas, gente séria que já não brinca porque não pode errar e que já não pode errar porque não brinca: círculo vicioso vexatório!

Hoje, pai, vejo o quanto essa desgraça foi produzida e continua sendo...como que por uma máquina produtora de sujeitos. Meu filho de 3 anos já toma por verdade o que adultos (eu não sou um!) sancionam. De repente não quer nos beijar como antes porque disseram que faz mal ou, de repente não quer brincar no lugar de sempre porque disseram que tem bicho. Corto a desgraça com facão! Capo e jogo fora pra não procriar. E como faço? Digo que tais adultos erraram: "Não faz mal, filho. Ele(a) pensou que fazia mal, mas não faz. Ele(a) ERROU." ou, "Não tem bicho, filho. Ele(a) pensou que tinha, mas não tem. Ele(a) ERROU".

Ai o beijo volta...e a brincadeira também.

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hugo lucena theophilo
http://hugotheophilo.blogspot.com
"Cada um de nós, e cada um dos grupos em cujo seio vivemos e trabalhamos, deve se tornar o protótipo da era que desejamos criar." - Ivan Illich


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